domingo, 5 de julho de 2009

transparência


depois de um desfecho
cuidadosamente preparado para ser inevitável 
depois da celebração do desejo que a intuição contraria
a minha alma ficou mais leve
contrariamente ao teu semblante
pesado
caído.

enquanto trespassavas a minha porta
em sintonia com o teu tempo
maior que o meu…
eu pensei 

adeus.









terça-feira, 12 de maio de 2009

GLAMOUR




...encontramo-nos no acaso.
trocamos olhares vagos. cumprimos as horas do costume. no lugar do costume.
sabiamos que tarde ou cedo a palavra fluía
fluí na vaidade do meu desinteresse…
e porque não ceder ao jogo da sedução? 
alimentei a expectativa de que algo diferente me desencantasse.
me roubasse ao vazio.
provamos íguarias, seduzimo-nos.
medi o tempo que nos afastava.
e no entanto, isso encantou-me.
a distância no nosso tempo…
disseste que estava soberba…
o preto reluzente e ezímio do carro em que me conduzias
condizia com os teus botões de punho.
e tu elegante como o momento exigia. como disseste.
sorri.
deliciaste-me com aquele peixe galo regado a douro branco.
alto douro…
levaste-me a dançar áquele club.
só lá era possível dançar assim.
como desejavas.
com os corpos esmagados.
um contra o outro em ritmos de outros tempos.
do teu tempo.
que eu incorporei.
enfeiteiçei-me com as tuas vivências.
do sul da europa às illhas gregas. 
ao resto do mundo. onde me me queres levar.
eu sei que sim.
que terias orgulho que te desse o braço pela mundo fora.
tal como quando passeamos ao fim da tarde.
de braço dado.
enfeiticei-me
com o teu élan.
com a  elegância que te corre nas veias.
com as conversas sem fim que alimentamos…
com os beijos que me dás de olhos fechados.

queria tanto meu querido apaixonar-me perdidadamente por ti…











sexta-feira, 8 de maio de 2009

uma espécie de felicidade

a porcelana das chávenas tilinta no prateado do tabuleiro de arabescos.
o seu som não tem tempo de se propagar. 
ao invés um electrotango alimenta o nosso propósito. 
fatalmente entre um rápido entender de olhares a resistência sucumbe. 
dá lugar a uma sôfrega  degustação.
prolongada. 
sem tempo.  
na penumbra das velas. 
de olhos nos olhos. 
em fusão. 
perguntas-me o que já sabes de cor mas queres ouvir-me.
fazer-me pensar que tenho escolha. 
é o teu prazer. 
e eu dou-to. 
então percorres-me assim como só tu sabes. 
seguro no teu pavor de mim. 
das sensações telúricas que te provoco contra a tua vontade.
descanso entre as batidas acelaradas do teu coração. 
esforço-me por guardar em mim  o teu sabor a fresco. 
a sabonete de alfazema confiança. 
encostas as minhas costas ao teu peito e das-me uma massagem. 
dizes que deviam ser mais duras para desfazer as tensões do meu controlo. 
eu incentivo-te a magoares-me. 
mas tu não queres. 
dizes que queres ser assim.
meigo para não desfazer aos meus caprichos.
e eu deixo-te ser assim…
deixo-me adorar.

e sentir a tua boca no meu pescoço. 

e as tuas massagens. 

e os meus caprichos. 

e os teus receios. 



e o dia quase a chegar…

quinta-feira, 30 de abril de 2009

…a memória é-nos infiel


a lua em extâse visita o leão e veste-se de fogo.
confunde-se com o sol ardente na escuridão iluminada da noite.

algures no alentejo
no meio do campo e com o perfume a maresia por perto
a lua estava assim nessa noite.
o prazer da brisa quente pedia que eles parassem o veículo
e desligassem o chillout.

cheiros inebriantes e sons de bichos confundiam-se com a terra.

a vegetação ondulante ditava os ritmos. 
inspiraram  os seus néctares.

atenta. estava uma fêmea. 

os seus olhos enormes e doces contrastavam com os cornos 
que ameaçavam passar a cerca de arame que dividia  o caminho de terra com o seu território.
onde a vegetação estava ondulante.

todos perceberam que aquela não era uma lua qualquer…

cumplicidades de animais.





sábado, 11 de abril de 2009

o cheiro a verão afinal foi efémero.
e a tua alma disfrutei-a e fiz-te efémero também.

hoje
neste dia de vento gélido a lembrar o inverno
já nem me surpreendeste com os teus beijos
ainda menos com a tua presença.
reconheço que sim que és um bom exemplar da tua espécie.
gosto 
dos teus braços fortes
trabalhados com o teu orgulho.
das tuas pernas atléticas  e do teu perfil romano
de imperador.
o meu perfil reconhece-se no teu por instantes 
mas é efémero também.

mas como todas as fêmeas sou cruelmente animal
um destes dias desejo outra vez a tua carne 
e os teus beijos pecaminosos.

prometo.

quarta-feira, 18 de março de 2009

cheiro de verão


continua a invadir-me o cheiro a verão.

as respostas que esperava chegam de um modo subliminar. 
com o teu medo.
o cansaço invade-me. não quero dormir.
relembro os momentos de insanidade que mascaram esse medo.
reconheço que não sou usual. que não uso os códigos habituais.

art of noise no ipod. moments in love. 
coincidência ridícula.

todavia é-te difícil resistir versus a tua vontade férrea e fria.
a minha frontalidade é a tua fraqueza e o teu sofrimento.

e agora quero que sofras.
até que me apeteça outra vez disfrutar-te.
a alma…

terça-feira, 17 de março de 2009


dá-me uma  resposta…