quinta-feira, 30 de abril de 2009

…a memória é-nos infiel


a lua em extâse visita o leão e veste-se de fogo.
confunde-se com o sol ardente na escuridão iluminada da noite.

algures no alentejo
no meio do campo e com o perfume a maresia por perto
a lua estava assim nessa noite.
o prazer da brisa quente pedia que eles parassem o veículo
e desligassem o chillout.

cheiros inebriantes e sons de bichos confundiam-se com a terra.

a vegetação ondulante ditava os ritmos. 
inspiraram  os seus néctares.

atenta. estava uma fêmea. 

os seus olhos enormes e doces contrastavam com os cornos 
que ameaçavam passar a cerca de arame que dividia  o caminho de terra com o seu território.
onde a vegetação estava ondulante.

todos perceberam que aquela não era uma lua qualquer…

cumplicidades de animais.





sábado, 11 de abril de 2009

o cheiro a verão afinal foi efémero.
e a tua alma disfrutei-a e fiz-te efémero também.

hoje
neste dia de vento gélido a lembrar o inverno
já nem me surpreendeste com os teus beijos
ainda menos com a tua presença.
reconheço que sim que és um bom exemplar da tua espécie.
gosto 
dos teus braços fortes
trabalhados com o teu orgulho.
das tuas pernas atléticas  e do teu perfil romano
de imperador.
o meu perfil reconhece-se no teu por instantes 
mas é efémero também.

mas como todas as fêmeas sou cruelmente animal
um destes dias desejo outra vez a tua carne 
e os teus beijos pecaminosos.

prometo.

quarta-feira, 18 de março de 2009

cheiro de verão


continua a invadir-me o cheiro a verão.

as respostas que esperava chegam de um modo subliminar. 
com o teu medo.
o cansaço invade-me. não quero dormir.
relembro os momentos de insanidade que mascaram esse medo.
reconheço que não sou usual. que não uso os códigos habituais.

art of noise no ipod. moments in love. 
coincidência ridícula.

todavia é-te difícil resistir versus a tua vontade férrea e fria.
a minha frontalidade é a tua fraqueza e o teu sofrimento.

e agora quero que sofras.
até que me apeteça outra vez disfrutar-te.
a alma…

terça-feira, 17 de março de 2009


dá-me uma  resposta…

e agora? 
quando nos entram pelo olhar adentro, como é que se faz?
e quando as nossas entranhas se reconhecem sabe-se lá de onde…
como se faz?

e com o medo como se lida?

responde-me.

sábado, 7 de março de 2009

sem título

falo doque me vai na alma de uma forma ínequivoca.
suspeito que pouco explícita para quem provávelmente aqui passa.
ainda que interveniente nalguns momentos efémeros.

os últimos dias foram demasiado chocantes para me deter em pormenores.

podia, no entanto, perguntar como está tudo a correr?
porque até me vou lembrando e desejo que sim, que tudo esteja bem!
é sómente a lembrança do prazer egoísta do momento. 
não deixa de ter a sua importância. faz-me sorrir…
mas não passa disso. nada de preocupante, portanto.

os últimos dias obrigaram-me a pesar o valor da vida.
uns perdem-na por opção ou por um momento de ausência.
outros são surpreendidos…
pela sua retirada.
seja como for é irremediável para nos determos em pormenores.

receio por vezes abrir as asas.
antes do tempo. 
quando cresceres mais talvez.



terça-feira, 3 de março de 2009

liberdade?

a liberdade é inquestionável quando é vivida.

existem prisões maravilhosamente inquestionáveis.
pobre de quem ainda não as conhece…
em liberdade.