quinta-feira, 23 de julho de 2009

(in)evitável


… sorvo o resto do copo de tinto que sobrou do jantar. 
continuo a gostar de sentir o vidro cinzento esfumado. 
o volume e a aspreza dos bicos.
vulgares agora. mas não estes  impregnados de histórias. de lábios.

…acendo o último cigarro da noite.

ligo o mac. 
estás ocupado.
instintivamente fico disponível.
não resistes.
aí, na rua em frente, a uns metros, ligaste a mim.

páro para reflectir. 
venho já, digo.

tínhamos acordado em manter o café casual da esplanada. 
estava bem assim. 
eu saboreava as minhas histórias, os meus recomeços e desfechos.
os meus olhares.
tu, a tua historia…

esperas e eu regresso.

ofereces-me as tuas tentadoras massagens 
para matar cirurgicamente as minhas desculpas banais de fim de um dia.

faço-te-me a vontade prometendo que sim.
que não te vou seduzir.
.
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.
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o dia abafado, encoberto faz-me parar. sento-me.
sta. catarina, efeverescente de personagens, distraí-me.


a limonada. gelada tranquiliza-me os lábios doridos.























quinta-feira, 9 de julho de 2009

re: 3do7


…rumo ao sul

consegui vivenciar um déjavu, embora de um tempo ainda muito próximo.

a viagem, o aproximar do cheiro a maresia depois de vastos campos, planos, de sobreiros.
a diana só agora, vivencio. essa com a marca de lisboa. muito bom…
lá, nesse tempo, o chillout, a bossa nova acompanhava-me. ainda hoje assim é, por vezes.

antes dos manjares, dos néctares, uma descida de precipícios até à água morna  imensa das praias desertas.
um precipício de emoções até ao limite. 
o saborear da liberdade ilimitada.

depois sim, as boas vindas, os lagostins grelhados, os coentros, o esporão.
e as noites quentes, de luas monstruosamente laranja, imensas.

assim vêem os meus olhos, essas paragens.

domingo, 5 de julho de 2009

transparência


depois de um desfecho
cuidadosamente preparado para ser inevitável 
depois da celebração do desejo que a intuição contraria
a minha alma ficou mais leve
contrariamente ao teu semblante
pesado
caído.

enquanto trespassavas a minha porta
em sintonia com o teu tempo
maior que o meu…
eu pensei 

adeus.









terça-feira, 12 de maio de 2009

GLAMOUR




...encontramo-nos no acaso.
trocamos olhares vagos. cumprimos as horas do costume. no lugar do costume.
sabiamos que tarde ou cedo a palavra fluía
fluí na vaidade do meu desinteresse…
e porque não ceder ao jogo da sedução? 
alimentei a expectativa de que algo diferente me desencantasse.
me roubasse ao vazio.
provamos íguarias, seduzimo-nos.
medi o tempo que nos afastava.
e no entanto, isso encantou-me.
a distância no nosso tempo…
disseste que estava soberba…
o preto reluzente e ezímio do carro em que me conduzias
condizia com os teus botões de punho.
e tu elegante como o momento exigia. como disseste.
sorri.
deliciaste-me com aquele peixe galo regado a douro branco.
alto douro…
levaste-me a dançar áquele club.
só lá era possível dançar assim.
como desejavas.
com os corpos esmagados.
um contra o outro em ritmos de outros tempos.
do teu tempo.
que eu incorporei.
enfeiteiçei-me com as tuas vivências.
do sul da europa às illhas gregas. 
ao resto do mundo. onde me me queres levar.
eu sei que sim.
que terias orgulho que te desse o braço pela mundo fora.
tal como quando passeamos ao fim da tarde.
de braço dado.
enfeiticei-me
com o teu élan.
com a  elegância que te corre nas veias.
com as conversas sem fim que alimentamos…
com os beijos que me dás de olhos fechados.

queria tanto meu querido apaixonar-me perdidadamente por ti…











sexta-feira, 8 de maio de 2009

uma espécie de felicidade

a porcelana das chávenas tilinta no prateado do tabuleiro de arabescos.
o seu som não tem tempo de se propagar. 
ao invés um electrotango alimenta o nosso propósito. 
fatalmente entre um rápido entender de olhares a resistência sucumbe. 
dá lugar a uma sôfrega  degustação.
prolongada. 
sem tempo.  
na penumbra das velas. 
de olhos nos olhos. 
em fusão. 
perguntas-me o que já sabes de cor mas queres ouvir-me.
fazer-me pensar que tenho escolha. 
é o teu prazer. 
e eu dou-to. 
então percorres-me assim como só tu sabes. 
seguro no teu pavor de mim. 
das sensações telúricas que te provoco contra a tua vontade.
descanso entre as batidas acelaradas do teu coração. 
esforço-me por guardar em mim  o teu sabor a fresco. 
a sabonete de alfazema confiança. 
encostas as minhas costas ao teu peito e das-me uma massagem. 
dizes que deviam ser mais duras para desfazer as tensões do meu controlo. 
eu incentivo-te a magoares-me. 
mas tu não queres. 
dizes que queres ser assim.
meigo para não desfazer aos meus caprichos.
e eu deixo-te ser assim…
deixo-me adorar.

e sentir a tua boca no meu pescoço. 

e as tuas massagens. 

e os meus caprichos. 

e os teus receios. 



e o dia quase a chegar…

quinta-feira, 30 de abril de 2009

…a memória é-nos infiel


a lua em extâse visita o leão e veste-se de fogo.
confunde-se com o sol ardente na escuridão iluminada da noite.

algures no alentejo
no meio do campo e com o perfume a maresia por perto
a lua estava assim nessa noite.
o prazer da brisa quente pedia que eles parassem o veículo
e desligassem o chillout.

cheiros inebriantes e sons de bichos confundiam-se com a terra.

a vegetação ondulante ditava os ritmos. 
inspiraram  os seus néctares.

atenta. estava uma fêmea. 

os seus olhos enormes e doces contrastavam com os cornos 
que ameaçavam passar a cerca de arame que dividia  o caminho de terra com o seu território.
onde a vegetação estava ondulante.

todos perceberam que aquela não era uma lua qualquer…

cumplicidades de animais.





sábado, 11 de abril de 2009

o cheiro a verão afinal foi efémero.
e a tua alma disfrutei-a e fiz-te efémero também.

hoje
neste dia de vento gélido a lembrar o inverno
já nem me surpreendeste com os teus beijos
ainda menos com a tua presença.
reconheço que sim que és um bom exemplar da tua espécie.
gosto 
dos teus braços fortes
trabalhados com o teu orgulho.
das tuas pernas atléticas  e do teu perfil romano
de imperador.
o meu perfil reconhece-se no teu por instantes 
mas é efémero também.

mas como todas as fêmeas sou cruelmente animal
um destes dias desejo outra vez a tua carne 
e os teus beijos pecaminosos.

prometo.